Chefe de facção do RS que planejou fuga em massa de presídio e procurado pela Interpol é preso em casa de luxo em SC
13/03/2026
(Foto: Reprodução) Benhur foi condenado por coordenar construção de túnel que serviria para fuga em massa de presídio
Divulgação/MJSP e Rodrigo Bernardi/Agência RBS
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul prendeu, por meio do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (DENARC) com apoio da corporação catarinense, o foragido apontado como o número 1 da lista vermelha do RS e um dos homens mais procurados do país.
A identidade dele não foi divulgada pela polícia, mas a reportagem do g1 apurou que se trata de Tiago Benhur Flores Pereira, conhecido como Benhur, apontado como uma das principais lideranças da maior organização criminosa do estado. Ele chegou a elaborar um plano para construir um túnel de fuga em massa do Presídio Central de Porto Alegre, em 2017. Saiba mais abaixo.
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Benhur estava foragido desde julho de 2024, quando rompeu a tornozeleira eletrônica que usava durante uma prisão domiciliar humanitária.
O nome dele passou a integrar duas listas de alta prioridade: a lista dos Procurados do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), que reúne alvos estratégicos no combate ao crime no Brasil, e a Difusão Vermelha da Interpol, que solicita sua localização e captura em 196 países. Benhur acumula uma pena total com mais de 150 anos de prisão.
Prisão
Chefe de facção do RS procurado pela Interpol é preso em casa de luxo em SC
A prisão aconteceu no final da tarde de quinta-feira (12), em uma casa de luxo localizada em uma área rural de Santa Catarina, após um ano e meio de monitoramento.
Segundo o diretor do Denarc, o delegado Carlos Wendt, o imóvel onde o preso estava escondido era amplo e ficava próximo a uma região de mata. O homem foi encontrado na residência junto com a companheira. De acordo com a investigação, a casa foi completamente cercada antes da abordagem.
"Não ofereceu [resistência], a casa estava muito bem cercada. Levamos um grande efetivo, fizemos todo um cercamento na região da mata que tinha em volta, estávamos com um helicóptero também nos apoiando", comenta Wendt.
No local, os policiais localizaram dois carros de luxo. Foram apreendidos ainda aparelhos de telefone celular.
Segundo o delegado, o preso "é um dos grandes responsáveis por grandes cargas de drogas que ingressam no estado", movimentando um esquema considerado milionário. No entanto, a polícia ainda não tem estimativas de valores.
A Polícia Civil agora tenta identificar quem é o proprietário do imóvel onde o suspeito vivia: “Estamos fazendo os levantamentos agora para saber em nome de quem está esse imóvel”, diz Wendt.
Ele afirmou que a investigação segue em andamento, com análise dos telefones, dos veículos e de outros elementos encontrados no local.
O homem deve passar por audiência de custódia nesta sexta-feira (13). A Polícia Civil deve pedir a transferência dele para o RS.
Quem é Benhur
Tiago Benhur Flores Pereira tinha ao menos cinco mandados de prisão ativos contra ele, expedidos por diferentes Varas Judiciais e por motivos distintos. Três são mandados de prisão preventiva, originados de Varas especializadas em Organização Criminosa, e indicam que, mesmo enquanto cumpria pena, ele era alvo de novas investigações. Um desses mandados preventivos foi expedido em 18 de julho de 2024, dias antes da fuga.
Alegando fortes dores na coluna por artrose e hérnia de disco, Benhur foi submetido a uma cirurgia. Em 11 de julho de 2024, a Vara de Execuções Criminais (VEC) de Porto Alegre concedeu a ele 30 dias de prisão domiciliar humanitária, argumentando que a Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (PASC) não teria condições para o tratamento pós-operatório.
Poucos dias após iniciar o benefício, em 22 de julho, a tornozeleira eletrônica foi rompida. O último sinal do monitoramento foi registrado na cidade de Esteio, na Região Metropolitana. Conforme o mandado de prisão expedido pela 1ª VEC em 25 de julho, a consequência da fuga foi a determinação de seu retorno ao regime fechado.
Tentativa de fuga em massa
A periculosidade de Benhur é exemplificada por um de seus crimes mais audaciosos: o plano de construir um túnel para uma fuga em massa do Presídio Central de Porto Alegre, em 2017. A "Operação Túnel Santo", do Departamento Estadual de Investigação do Narcotráfico (Denarc), frustrou a ação.
A investigação apontou Benhur como mentor e financiador do projeto, que custou cerca de R$ 1 milhão e visava libertar mais de mil presos da mesma facção. O valor cobria a compra de um imóvel, pagamento de "tatus" (escavadores) com salários de R$ 1 mil semanais, além de moradia e transporte.
Para não levantar suspeitas, a terra retirada era armazenada dentro da casa. A estrutura, que já tinha 47 metros de comprimento, contava com equipamentos de ar-condicionado portáteis. Faltavam cerca de 40 metros para alcançar o pavilhão dos detentos. Somente por este crime, ele foi condenado a 37 anos e oito meses de prisão.
Outros crimes
Sua ficha criminal inclui condenações por organização criminosa, roubo majorado, tráfico de drogas, associação para o tráfico e receptação.
Benhur também exercia poder dentro do sistema prisional. No Presídio Central, era o "prefeito" dos detentos do Pavilhão B, posição de liderança que o colocava como representante dos presos perante a administração da cadeia.
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