Caso Samylle: Justiça mantém prisão preventiva de tio que confessou agressões

  • 21/08/2026
(Foto: Reprodução)
Caso Samylle: mais pessoas da família podem ser investigadas, diz delegada Após audiência de custódia realizada nesta sexta-feira (21), o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul manteve a prisão preventiva de Nicolas Gabriel Almeida Staubus, de 22 anos, que confessou ter agredido a sobrinha Samylle Valentina Borba Ramiro, de 4 anos, que morreu na última segunda-feira (17). O acusado é assistido pela Defensoria Pública. A Polícia Civil tem o prazo de 10 dias para concluir o inquérito. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp "O cumprimento do mandado de prisão foi considerado regular. O custodiado solicitou que sua defesa seja realizada pela Defensoria Pública", disse o órgão, em nota. Outras pessoas da família também podem ser consideradas suspeitas com o avanço da investigação, segundo a delegada Alice Fernandes, responsável pelo caso, que é tratado como homicídio doloso. O atestado de óbito confirmou a causa da morte da menina como politraumatismo. "No momento da morte, estava somente o suspeito e a menina. Porém, claro, conforme o laudo pericial constatar outras lesões ou alguma outra informação, podemos abranger, aumentar esse leque." A polícia aguarda os laudos da perícia para entender as circunstâncias do óbito. Quanto à possibilidade de responsabilização de outras pessoas, a delegada explica que depende do quanto familiares tinham conhecimento das agressões. "Precisamos também verificar qual foi o horário da morte, comparar com o horário que essa criança foi levada até a UPA, para entender todo esse contexto das últimas horas de vida da menina", acrescenta. Samylle morava há cerca de dois meses com os tios, com aval do Conselho Tutelar. Ela chamava de pai o homem investigado pelo crime. Ele foi preso preventivamente na manhã de quinta-feira (20). Segundo a delegada, o tio justifica que agrediu a menina em razão dela "ter evacuado nas vestes". Ele disse que teria dado palmadas na criança com o intuito de educá-la. "Falava como se estivesse arrependido. Dizia que nunca desejou a morte da menina, dizia que nunca tinha cuidado de uma criança. Justificava, dessa forma, o jeito que ele tratou ela. Mas a gente sabe que não há justificativa", destaca Fernandes. Conforme a polícia, a hipótese de violência sexual só vai ser descartada ou confirmada com o laudo pericial. Samylle chegou morta em UPA Polícia Civil do RS investiga morte de menina de 4 anos em Porto Alegre Samylle foi levada sem vida a uma unidade de pronto-atendimento na madrugada de segunda-feira (17). Segundo a polícia, foram os próprios tios que a levaram ao local. Contudo, o homem teria deixado a UPA ao perceber a chegada dos policiais. A criança apresentava manchas roxas pelo corpo. O Ministério Público manifestou-se favoravelmente à prisão preventiva do investigado e apontou a "extrema gravidade concreta dos fatos investigados". Expedientes judiciais envolvendo a família de Samylle são acompanhados pelo MPRS desde 2025. Guarda da menina Caso Samylle: tio de menina de 4 anos morta no RS é preso Reprodução/Redes sociais O histórico mostra que a família passou por atendimentos do Conselho Tutelar, da Polícia Civil, da Justiça, do Ministério Público e da Defensoria Pública desde abril de 2025. Nesse período, a guarda de Samylle foi transferida entre familiares até a menina passar a morar provisoriamente com a tia. Segundo a investigação, o tio era quem passava a maior parte do tempo com Samylle, porque a tia trabalhava fora. Até o momento, a tia da criança é considerada testemunha. A mãe de Samylle disse à polícia que não via a filha há pelo menos dois meses e que não tinha contato com a menina "nem por videochamada". Em nota publicada no site da instituição, o Ministério Público afirmou que os procedimentos tramitam em segredo de Justiça porque envolvem crianças. Por esse motivo, não apresentou detalhes sobre o conteúdo dos expedientes. Na manifestação, também informou que realiza a capacitação do Conselho Tutelar e que receberá os familiares da menina para acolhimento. Entre as atribuições do Ministério Público, está a fiscalização da atuação do Conselho Tutelar. Linha do tempo Menina de 4 anos morre no RS; tio é preso Arte/g1 Em abril de 2025, a família de Samylle foi atendida pelo Conselho e a guarda da menina foi retirada da mãe por meio de um termo de responsabilidade e repassada aos avós maternos. Em setembro do mesmo ano, a Polícia Civil concluiu uma investigação e remeteu o inquérito à Justiça. No dia 29 de setembro de 2025, a Justiça realizou uma sessão de mediação entre os familiares para tratar da guarda da criança. Em 2 de dezembro de 2025, o acordo foi homologado, e a guarda de Samylle foi devolvida à mãe, com possibilidade de visitas do pai. A partir desse momento, a menina deixou de morar com a irmã mais velha, que também é criança. Em julho de 2026, a tia de Samylle procurou o Conselho Tutelar da 3ª Região. Ela informou que a mãe da criança enfrentava um problema de saúde. A tia passou, então, a ser responsável provisoriamente por Samylle por meio de um termo. A mudança não decorreu de uma decisão judicial de guarda. Segundo a defesa da mãe, a tia não permitia que ela visitasse ou mantivesse contato com a filha. O pai da criança também afirmou que era impedido de vê-la. No dia 9 de agosto, durante um encontro no Dia dos Pais, os avós maternos perceberam ferimentos no corpo da menina. Eles receberam a informação de que as marcas tinham sido provocadas por uma queda. Quatro dias depois, em 13 de agosto, a tia procurou a Defensoria Pública. Ela foi orientada a reunir documentos para ingressar com uma ação de guarda definitiva, mas não retornou para apresentá-los. Em 17 de agosto, Samylle foi levada pela tia e pelo tio à Unidade de Pronto Atendimento Bom Jesus, na Zona Leste de Porto Alegre. A criança chegou ao local já sem vida. Em 20 de agosto, Nicolas Gabriel Almeida Staubus, 22 anos, tio de Samylle, foi preso preventivamente. Em depoimento, Nicolas afirmou que deu "umas palmadas com intuito de correção no bumbum da menina em razão dela ter feito cocô nas calças", de acordo com a delegada, mas a polícia afirma que essa versão não é compatível com as marcas pelo corpo. A Polícia Civil trata o caso como homicídio. A investigação tem prazo legal de 10 dias em razão da prisão do suspeito. LEIA TAMBÉM Polícia investiga morte de criança de 4 anos em Porto Alegre após agressões 'A investigação vai dizer se foi vítima de tortura', afirma delegado Mãe de menina presta depoimento à polícia e diz que não via filha há dois meses 'Chamava ele de pai', diz delegada sobre vínculo entre criança e tio que confessou agressões O que falta saber sobre caso Samylle VÍDEOS: Tudo sobre o RS

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/08/21/caso-samylle-justica-mantem-prisao-preventiva-de-tio.ghtml


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