Caso Oliver: Justiça autoriza que mãe presa por suspeita de omissão deixe penitenciária para reconhecer corpo do filho no DML

  • 20/07/2026
(Foto: Reprodução)
MP aciona Interpol para saber histórico do missionário dos EUA preso por espancar filho no A Justiça determinou que a mãe de Oliver Golden Grayson, menino de três anos morto após ser espancado pelo pai em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre, seja escoltada para fora da prisão para reconhecer o corpo do filho. A decisão, proferida na sexta-feira (17) pela 1ª Vara Criminal do Tribunal do Júri e de Execução Criminal do município, atende a um pedido do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) para viabilizar a liberação do corpo da criança para sepultamento. Oliver morreu no dia 8 de julho. O pai dele, o missionário norte-americano D'Andre Jermaine Grayson, que confessou o crime à polícia, está preso preventivamente desde 5 de julho. O menino morreu no dia 8 de julho. A mãe foi presa preventivamente no dia 9 de julho. Os quatro irmãos da vítima seguem em um abrigo. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp O deslocamento de Mayanna da Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba ao Departamento Médico-Legal (DML) foi autorizado após o MPRS informar ao Judiciário que todas as perícias necessárias já foram concluídas, não havendo mais impedimentos legais para a entrega do corpo à família. A defesa de Mayanna informou que o IML já realizou o reconhecimento de Oliver através da papiloscopia, método que identifica indivíduos através das impressões digitais, palmares ou plantares. Anteriormente, a direção do presídio onde ela estava havia negado a liberação extraordinária da detenta, sob o argumento de que a grande repercussão do caso gerava riscos à integridade física dela e dos agentes de escolta. Na ocasião, a defesa de Mayanna criticou a medida, classificando-a como uma "punição antecipada". Até o momento, 11 testemunhas foram ouvidas pela investigação e a previsão de conclusão do inquérito é no início de agosto. A delegada Luana Medeiros, responsável pela investigação, afirmou que os pais orientavam os filhos a esconder os machucados. De acordo com a polícia, as crianças usariam roupas compridas e seriam instruídas a inventar histórias para justificar as marcas pelo corpo. A polícia também analisou a estrutura da residência da família. O local é uma casa de madeira pequena, sem portas, onde a divisão dos cômodos era feita apenas por panos. A investigação apura a conduta da mãe e avalia, por meio de perícias psíquicas que ainda serão realizadas com as crianças, se ela foi omissa em relação à morte e às agressões ou se também praticava as torturas. Em um inquérito separado, a Polícia Civil investiga indícios de que Mayanna sofria violência física e psicológica do marido. As polícias civis de Santa Catarina e de São Paulo enviaram cópias de ocorrências que apontam indícios de maus-tratos cometidos pela família nesses estados entre 2024 e 2025. A Polícia Federal (PF) e a Interpol também foram acionadas para verificar os antecedentes dos estrangeiros e a situação legal da família no Brasil. A polícia investiga possíveis falhas na rede de proteção de Viamão, onde a família morava, para esclarecer quais medidas foram adotadas diante dos sinais de maus-tratos. O g1 entrou em contato com a defesa de Mayanna mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. LEIA TAMBÉM: Pastor evangélico recebeu família MP aciona Interpol para saber histórico Missionário era suspeito de maus-tratos em três estados Mãe também é presa; polícia investiga omissão Órgãos de menino são doados Morre menino espancado por não dar 'bom dia' ao pai 'O Estado falhou', admite prefeito de Viamão sobre missionário preso por espancar filho Família era acompanhada há oito meses pelo Conselho Tutelar Missionário dos EUA confessa ter espancado o filho Entenda o caso A Polícia Civil afirma que o menino de 3 anos teria sido espancado pelo próprio pai em Viamão. O missionário norte-americano confessou o crime à polícia e está preso preventivamente desde domingo (5). Em depoimento à Polícia Civil, ele disse que a motivação para as agressões foi o filho não ter lhe dado "bom dia". De acordo com a delegada Luana Tamiozzo Medeiros, substituta na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) e responsável pela investigação, o homem relatou ter desferido socos no peito e no abdômen da criança, além de ter batido a cabeça do menino contra o chão. O crime aconteceu no distrito de Águas Claras, onde a família mora. Mãe de menino de três anos morto após ser espancado pelo pai é presa por omissão, afirma polícia Reprodução/Redes sociais O que diz a defesa de D'Andre "Em razão da repercussão pública alcançada pelo caso envolvendo D’Andre Grayson, e diante de manifestações veiculadas na imprensa e nas redes sociais que antecipam juízos de valor, a defesa técnica vem a público esclarecer o que segue. O processo tramita sob segredo de justiça. Por dever ético e legal, a defesa não vai comentar fatos, provas ou peças cobertas pelo sigilo, e espera o mesmo padrão de conduta de quem venha a obter acesso a esse conteúdo, dentro ou fora do processo. Exposição midiática antecipada não substitui o processo, onde haverá produção de provas, contraditório e ampla defesa. O contraponto percorrerá o processo: com prova autuada, e não no espaço público, por meio de acusações genéricas ou de julgamento paralelo movido por comoção. Na persecução penal, a integridade das informações sobre o caso é dever legal. Divulgação seletiva e antecipada de conteúdo sigiloso, além de configurar possível ilícito, compromete a lisura do processo e pode causar dano irreparável a quem não foi condenado. Em tempo, a defesa lamenta a decisão da qual resulta o atual afastamento dos quatro filhos de sua mãe, sobretudo em momento de luto e necessidade de amparo familiar. O processo penal não deve prestar-se a punir antecipadamente quem já está vitimado pela perda. Por fim, defesa confia nas instituições e no Poder Judiciário e exige o cumprimento estrito do devido processo legal sem antecipações e exposição indevida. Seguirá atuando com serenidade técnica, firmeza e absoluto compromisso com os direitos fundamentais de seu cliente. Ismael Schmitt" O que diz a defesa de Mayanna "A defesa de Mayanna Angelina Rodgers está colaborando com as autoridades, permanecendo a disposição da justiça para esclarecimentos dos fatos. Consigna que a constituinte é vítima e se encontrava em estado de grave vulnerabilidade no contexto de violência doméstica, física, emocional e espiritualmente, circunstâncias estas que merecem apuração cuidadosa e técnica, sem qualquer julgamento antecipado. A defesa confia no devido processo legal, contraditório e ampla defesa, nos termos da Constituição Federal, reafirmando que apenas a ampla instrução processual permitirá a correta apuração dos fatos. Por respeito a memória da criança e ao sigilo das investigações não serão fornecidas outras informações. Isabel Cochlar – OAB/RS 71.415 Juliana Braun Martins OAB/RS 103.017 André von Berg - OAB/RS 44.063" Oliver Golden Grayson tinha 3 anos Arquivo pessoal VÍDEOS: Tudo sobre o RS

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/07/20/justica-autoriza-mae-presa-reconhecer-corpo-caso-oliver.ghtml


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