Apesar de programas para reduzir filas, demanda por consultas e cirurgias cresce no RS
12/03/2026
(Foto: Reprodução) Aposentada com problemas de saúde tem previsão de cirurgia vascular apenas para 2029
As filas por consultas e cirurgias no Sistema Único de Saúde (SUS) voltaram a crescer no Rio Grande do Sul. Dados obtidos pela RBS TV, por meio da Lei de Acesso à Informação, mostram que a lista de espera por cirurgias passou de 203 mil pacientes, em dezembro, para 219 mil, em fevereiro.
No mesmo período, a fila por consultas também registrou aumento, passando de 620 mil a 625 mil pedidos aguardando atendimento no mesmo período.
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Em 2025, a reportagem também revelou que o estado foi condenado pela Justiça por não aplicar na saúde o mínimo constitucional de 12% das receitas. Depois disso, o governo firmou um acordo com o Ministério Público para atingir esse índice até 2030 e lançou o programa SUS Gaúcho.
Também foi implantado o programa "Agora Tem Especialistas", do governo federal, para ampliar o acesso a consultas e exames. Mesmo assim, as filas continuam crescendo.
Apesar de programas para reduzir filas, demanda por consultas e cirurgias cresce no RS
Reprodução/RBS TV
O drama de quem espera
Em Eldorado do Sul, na Região Metropolitana de Porto Alegre, a aposentada Olenca de Sousa Gonçalves enfrenta dificuldades para ouvir e também para caminhar. Dentro de casa, ela só consegue se locomover com a ajuda de um andador. Além da perda de audição, ela convive com reumatismo, artrite, artrose e problemas de circulação.
Olenca está na fila do SUS em duas especialidades. Há mais de 300 dias espera por um médico para tratar os ouvidos. A previsão de atendimento é apenas para 2027. Já para uma consulta de cirurgia vascular arterial, a estimativa é ainda mais distante: 2029.
"É brabo. A gente lutou a vida inteira, criou os filhos trabalhando", lamenta.
Aposentada convive com problemas de audição, reumatismo, artrite, artrose e problemas de circulação
Reprodução/RBS TV
A empresária Kelly Priscila Maciel Oliveira Tomazewski, de Esteio, aguarda há nove anos por uma cirurgia bariátrica. Durante esse período, a situação de saúde se agravou.
"Piorou muito. Falta de ar, dores e dificuldade até para fazer as coisas básicas", relata.
Ao longo da espera, Priscila acumulou diversos diagnósticos médicos: "eu tenho quinze CIDs".
Entre os problemas mais graves, estão doenças que aumentam o risco de AVC e parada cardíaca. Depois de quase uma década aguardando, ela foi chamada recentemente para a primeira consulta, mas ainda precisa realizar exames antes de saber quando poderá fazer a cirurgia.
Kelly Priscila Maciel Oliveira Tomazewski aguarda há nove anos por cirurgia bariátrica
Reprodução/RBS TV
O que dizem as autoridades
Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, o aumento da procura por especialistas é um dos fatores que pressionam o sistema.
"Há uma demanda cada vez maior da população por serviços especializados. E esse é o principal motivo de um acréscimo, muitas vezes, na fila", afirma Bruno Naundorf, diretor do Departamento de Auditoria do SUS da Secretaria Estadual da Saúde.
O governo federal também reconhece que as medidas adotadas até agora não foram suficientes para reduzir a espera.
"Infelizmente, ainda não estamos com a potencialidade que poderíamos estar. Muitas vezes estamos em fase de habilitação para que recursos sejam destinados aos municípios", avalia Maria Celeste de Souza da Silva, superintendente do Ministério da Saúde no RS.
Demanda por consultas e cirurgias segue alta no RS
Reprodução/RBS TV
Multa ao estado após condenação judicial
O governo do estado acumula uma dívida de mais de R$ 1,1 milhão referente a multas decorrentes de uma condenação judicial para instalar serviços de cirurgias bariátricas no estado. A especialidade é uma das que possuem maior tempo de espera pelos procedimentos, podendo chegar a nove anos, segundo casos acompanhados pela reportagem.
Em 2022, o estado foi condenado a implantar o serviço. A sentença fixou multa diária de R$ 1 mil em caso de descumprimento.
Segundo o Tribunal de Justiça, entre maio e setembro daquele ano, quase R$ 130 mil foram bloqueados das contas do RS para garantir o cumprimento da decisão. Depois disso, a multa voltou a incidir e já ultrapassa R$ 1 milhão.
A Secretaria Estadual da Saúde afirma que adotou medidas para ampliar a oferta de cirurgias.
"Hoje, principalmente a partir de 2020, foi dobrado o número de serviços habilitados no estado e ainda estamos buscando ampliar essas referências", afirma Bruno Naundorf.
Segundo Naundorf, o número de cirurgias realizadas pelo sistema também aumentou nos últimos anos.
"Se a gente pegar como exemplo 2020, eram cerca de 150 procedimentos. Depois passamos para mais de 780 cirurgias realizadas no âmbito do SUS no Rio Grande do Sul", complementa.
O Ministério Público, responsável por fiscalizar o cumprimento da sentença, informou que o estado apresentou recurso e procurou a Promotoria para discutir um acordo. No entanto, a proposta ainda não foi formalmente apresentada.
O estado foi condenado em 2006 e em 2013. A atual gestão enfrenta uma ação civil pública.
Estado é multado após condenação judicial para reduzir fila de bariátricas
Reprodução/RBS TV
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