'A gente pensava que poderia encontrá‑los vivos', diz parente de família desaparecida há 65 dias no RS; como está investigação

  • 31/03/2026
(Foto: Reprodução)
Moradores e parentes protestam devido a desaparecimento da Família Aguiar Após 65 dias do desaparecimento da família Aguiar, de Cachoeirinha, parentes vivem a indignação e relatam a perda gradual da esperança. Sem respostas, amigos e conhecidos sentem angústia e cobram avanços nas investigações sobre o paradeiro dos familiares. ➡️ Relembre: Silvana Germann de Aguiar e os pais dela, Isail Aguiar e Dalmira Aguiar não são vistos desde os dias 24 e 25 de janeiro. A investigação vê como remotas as chances de encontrá-los com vida. "A angústia da gente é que no início pensávamos que poderíamos encontrá-los vivos. E, agora, a gente pensa em dar um enterro digno para eles", diz Onilda Justin, irmã de Isail. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Silvana Germann de Aguiar, Dalmira Germann de Aguiar e Isail Vieira de Aguiar Imagens cedidas/Polícia Civil Moradores da região e parentes da família se reuniram na segunda-feira (30) para protestar, pedindo maior agilidade nas investigações. "A gente aguentou até agora, a gente esperou até agora. Respeitamos o tempo da polícia para averiguações das provas, para inquérito, tudo. Mas hoje são 64 dias sem respostas", diz a amiga da família Débora Marques Gonçalves. Suspeitos O policial militar Cristiano Domingues Francisco, que é ex-companheiro de Silvana Aguiar, é o principal suspeito do desaparecimento dela e dos pais. O homem está preso temporariamente desde 10 fevereiro. Cristiano Domingues Francisco, suspeito no desaparecimento da família Aguiar Renan Mattos / Agencia RBS Três pessoas ligadas ao PM também passaram à condição de suspeitos, pois estariam atrapalhando as investigações sobre o caso, segundo o delegado Anderson Spier. "Eles já foram interrogados e pregressados, que é quando informamos das descobertas e da condição que eles passaram a ter na investigação", explica Spier. O PM ainda deve ser ouvido novamente nesta semana. A tendência é de que seja o último depoimento antes da conclusão do inquérito. Conforme Spier, os seguintes fatos levaram a polícia a investigar os três: A mulher teria apagado dados em dispositivos eletrônicos e na nuvem (espaço de armazenamento online). Profissional da área de TI, ela é suspeita de fraude processual. O familiar do PM teria deletado imagens de câmeras da casa onde moram familiares de Cristiano. Ele também é suspeito de fraude processual. Um amigo de Cristiano é investigado por falso testemunho. Segundo o delegado, a pedido da esposa do PM, o homem teria mentido em circunstâncias do depoimento, para dar falsos álibis ao principal suspeito. O advogado de Cristiano, Jeverson Barcellos, diz que segue atuando no caso e acompanhando o cliente. O g1 e a RBS TV entraram em contato com Suelén Lautenschleger, que representa a familiar do PM, mas não tiveram retorno até a mais recente atualização desta reportagem. As defesas dos outros dois não foram localizadas. Motivação O crime teria sido motivado por desavenças na criação do filho entre Silvana e o ex. A mulher procurou o Conselho Tutelar para relatar que o pai não seguia suas orientações nos cuidados com o filho, que teria restrições alimentares. "A gente tem já na investigação formalizado que a motivação passa pela questão da tensão existente entre o suspeito e a Silvana com relação à educação do filho." O delegado afirma que a mãe estaria planejando pedir entrar com um processo judicial contra o pai. "Existem informações que também dão conta que ela iria procurar um advogado para tratar questões atinentes à guarda e outros elementos. Então a gente acha que isso pode ter sido o fator, o gatilho, que desencadeou a ação dele." Outro ponto investigado é a questão patrimonial, pois a família Aguiar tinha muitos bens. "Envolvia imóveis, casas de aluguel, apartamentos de aluguel. E a gente sabe que em caso da morte da Silvana e dos pais dela, todos esses bens, numa sucessão, posteriormente, viriam a se tornar propriedade do neto." Relembre o caso Infográfico: pais e filha desaparecem em Cachoeirinha Arte/g1 O g1 montou a linha do tempo que detalha os principais acontecimentos da investigação. Confira: Antes do sumiço 2 de janeiro: Silvana Germann de Aguiar solicita, em um grupo de mensagens, o contato do Conselho Tutelar; 9 de janeiro: Silvana comparece ao Conselho Tutelar para registrar que seu ex-marido, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, desrespeitava as restrições alimentares do filho do ex-casal. O fim de semana dos desaparecimentos 24 de janeiro (sábado): Silvana é vista pela última vez. Uma publicação em seu perfil nas redes sociais dizia que ela havia sofrido um acidente em Gramado, mas que estava bem. Segundo a polícia, o acidente nunca aconteceu e o objetivo da postagem seria despistar o desaparecimento. Imagens de uma câmera de segurança registraram uma movimentação atípica de veículos na noite de 24 de janeiro: - 20h34: Um carro vermelho entra na residência de Silvana, e sai oito minutos depois; - 21h28: O veículo branco de Silvana entra na garagem da casa; - 23h30: Outro automóvel chega ao local, permanece por 12 minutos e vai embora. 25 de janeiro (domingo): - Alertados por vizinhos sobre a postagem, os pais de Silvana, Isail e Dalmira Aguiar, saem para procurar a filha. O casal de idosos tenta registrar o desaparecimento na delegacia distrital, mas a unidade estava fechada; - Segundo a Polícia Civil, após saírem da delegacia, os idosos seguiram para a residência do ex-genro, Cristiano. Em depoimento prestado inicialmente como testemunha, o policial afirmou que o casal teria pedido ajuda para procurar Silvana, já que ele é policial militar. Ele teria dito que estava preparando o almoço e que auxiliaria mais tarde; - Ainda conforme a investigação, após a visita, os idosos teriam retornado para casa e, horas depois, teriam sido vistos por vizinhos entrando em um carro não identificado, de cor desconhecida. Desde então, não foram mais vistos. Início das investigações 27 e 28 de janeiro: As ocorrências de desaparecimento são registradas formalmente. O ex-marido, Cristiano Domingues Francisco, comunica o sumiço de Silvana, e uma sobrinha, informa à polícia que os idosos também não foram mais vistos; 28 de janeiro: Cristiano comparece ao Conselho Tutelar para pedir que o filho fique sob sua guarda durante as investigações; 1º de fevereiro: Cristiano envia uma foto de dentro da casa dos sogros para uma conhecida, mostrando o veículo do casal; 3 de fevereiro: A polícia ouve seis pessoas, incluindo o ex-marido e sua atual companheira. Um projétil de arma de fogo é encontrado no pátio da casa dos idosos; 4 de fevereiro: A Polícia Civil confirma que trata o caso como crime, descartando sequestro por falta de pedido de resgate. Perícias e prisão 5 de fevereiro: A perícia coleta material na casa de Silvana, encontrando vestígios de sangue no banheiro e na área externa. 7 de fevereiro: O celular de Silvana é localizado após denúncia anônima, escondido sob uma pedra em um terreno baldio próximo à casa dos pais; 9 de fevereiro: Reunião de autoridades confirma que o cartucho encontrado na casa dos idosos é de festim (munição não letal); 10 de fevereiro: - Cristiano Domingues Francisco é preso temporariamente após quebra de sigilo telefônico indicar movimentação suspeita. A reportagem tem acesso a áudios nos quais ele estaria tentando interferir na investigação. - Familiares e amigos realizam um protesto e caminhada em Cachoeirinha pedindo solução para o caso; - O filho de Silvana é encaminhado para a casa dos avós paternos. Em áudio, PM suspeito de matar família no RS pergunta sobre investigação 13 de fevereiro: É divulgado que o suspeito e sua atual companheira se recusaram a fornecer as senhas de seus aparelhos. 20 de fevereiro: - O policial militar prestou depoimento à polícia. De acordo com a defesa, Cristiano ficou em silêncio; - Polícia confirma que o mesmo carro entrou duas vezes na residência de Silvana no dia em que ela desapareceu. Contudo, não foi possível identificar a placa. Assim, não se sabe quem é o proprietário. 24 de fevereiro: A perícia do celular Silvana mostrou que o aparelho nunca esteve em Gramado, diferente do que indicava a publicação feita em 24 de janeiro em suas redes sociais. 24 e 25 de fevereiro: O desaparecimento da família Aguiar completa um mês. Buscas com cães 25 de fevereiro: Silvana é considerada a 20ª vítima de feminicídio no RS em 2026. 26 e 27 de fevereiro: Polícia Civil realiza buscas pelos corpos em áreas de matas e rios próximos a Cachoerinha. 9 de março: Prisão de PM suspeito do desaparecimento é prorrogada por 30 dias. 13 de março: Bombeiros realizam mais trabalhos de busca em áreas rurais da Região Metropolitana de Porto Alegre. Os agentes usam cães farejadores. 24 de março: O desaparecimento da família Aguiar completa dois meses. VÍDEOS: Tudo sobre o RS

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/03/31/encontralos-vivos-familia-desaparecida-65-dias-rs-como-esta-investigacao.ghtml


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